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Actividades Antigas

Moagem

Em tempos antigos a moagem era uma das actividades principas existentes na freguesia, fruto do qual podemos encontrar, hoje vários moinhos espalhados pelas margens dos diversos ribeiros que atravessam a freguesia. Infelizmente encontram-se todos inactivos, mas ainda em bom estado de conservação.

Estes moinhos eram movidos a água, aproveitando os recursos naturais que a nossa terra disponibilizava. O funcionamento destes era muito simples pois era aproveitada a força da água para fazer mover o engenho. A água era canalizada até ao moinho, passando por um tubo ou poço, com grande inclinação ou mesmo a pique e terminando junto do rodizio, com uma saída apertada, a seteira. A água é dirigida ás penas do rodízio fazendo-as girar, rodando a segurelha (veio da mó), através da bucha (peça ligada á mó movente e que atravessa a dormente), permitindo assim moer o grão que caía da moenda para o espaçoo entre as duas mós, onde o resultado dessa moagem era encaminhado para a caixa do farinheiro.

"Maria Irene nasceu ouvindo o barulho da mó do moinho, e, desse ruído característico, fez profissão – moleira.  Da sua avó, Ana Formiga, herdou a arte  e o moinho.  Era vê-la, pequena de corpo, sete anos trigueiros, a ajudar a família. Aos doze , já moía sem ajuda, e aos 23, quando morre seu pai, assume a total controlo da azenha. Mas, a arte havia de ficar  para trás, quando, já casada, emigra para França em busca de melhor vida.

Maria Irene recorda os tempos difíceis da arte de moer. No Verão, com o calor, a água escasseava e no moinho não se moía. Para não perder os clientes, ia moer os cereais a Fornelos, a outras azenhas do Cávado. Outros  tempos! Iam, rio acima, num barco á vela. Os lucros, esses diminuíam, mas o trabalho aumentava! Só para subir o rio gastava quatro horas, mais hora e meia, no regresso, a descer, pois como diz o povo “ para baixo todos os Santos ajudam”! Partiam  por volta das duas horas da tarde e carregavam o barco no cais velho da Barca do Lago, donde partiam  por volta das duas horas da tarde. Entre  Verão e Inverno os anos foram passando e, hoje, quando olha para trás sente saudades desses tempos idos.... À memória ocorrem-lhe imagens várias, sons, cores. Por exemplo, a brancura da farinha que tudo cobria de branco.

Saudades leva-as o vento..."

retirado do livro "mulheres... entre a terra e o mar"

 

Maria Irene


Fornos de carvão


Uma actividade muito praticada na nossa freguesia foi transformaçao da madeira em carvão vegetal, através dos fornos de carvao. Actualmente nao conseguimos encontrar nenhum desses fornos em actividade, apenas as lembranças de quem neles trabalhou.

No chão dispunham-se toros de madeira forte, cruzados com os primeiros. Estava feita a base em que se ia colocar muita lenha, assim como quem faz uma cabana de paus toda muito bem composta e bem compacta, primeiro a lenha mais grossa, no fim a mais miudinha.


Fornos de lenha que chegavam a levar duas toneladas e mais, de que resultariam, no fim, uns trezentos quilos de carvão. À volta da lenha colocava-se rama verde ou mato, sargaço, fetos ou até junco. Não era para atear, era para abafar, é que ao fazer carvão o segredo está em ir queimando devagarinho, numa combustão que seja lenta para que a lenha se vá transformando em carvão e não em cinza. Por cima de tudo tapava-se com terra seca. Na frente abria-se uma boca, no extremo oposto, uma gateira, para o ar poder passar. Ateado o forno, com a ajuda de um forcado, fechava-se de imediato a boca dele e abriam-se uns quantos buracos laterais, para sair o fumo da combustão. Quando o fumo estava azul, era sinal de que a lenha estava em carvão. Se o forno começasse a abrir fendas, queria dizer que o carvão estava pronto. Então era preciso alagar essa parte do forno, batendo com a pá da enxada. O carvão fazia-se sempre da boca para a gateira, por alagamentos sucessivos, e poderia demorar até 15 dias e durante esse tempo tinha o carvoeiro de estar vigilante. E quando tudo estava pronto, tapavam-se todos os buracos para que a combustão terminasse de vez no interior. Até que estaria o carvão pronto a tirar ao cabo de dois ou três dias. Depois dois homens, um que ia puxando a terra, outro com um ancinho, com dentes de ferro, para separar o carvão da terra. Durante dois ou três dias o carvão ficava às serras para que se apagasse qualquer brasa mais teimosa. Pronto o carvão vegetal era so ensacar e estava finalizado o processo do carvão.

Engenhos de Serração


Actualmente na nossa freguesia ainda podemos encontrar, em bom estado de conservação, um Engenho de Serração. Este engenho era movido a água e servia para transformar grandes rolos de madeira em tábuas.

As madeiras eram cortadas nas matas e transportadas por carros puxados por bois, depois os troncos eram descarregados e descascados e só depois eram encaminhados a força braçal para o engenho. Era entao colocado o toro de madeira numa mesa movel, o chariot, e aí fixado por travessas e parafusos de madeira e pinos metálicos. A água do ribeiro circundante era então encaminhada através das levadas, canal que transportava as águas que eram encaminhadas através de comportas. A água então encaminhada caía sobre as pás de medaeira da roda, a roda motriz, que iria fazer mover o engenho. Com o movimento da roda motriz a serra, ligada a viela, sofria  um movimento vertical "sobe-e-desce" que lhe permitia serrar os toros de madeira. Enquanto este movimento era efectuado, uma roda metálica dentada fazia correr o chariot, movendo o toro na direcção da serra metálica. Assim á medida que a serra ia cortando o toro ia avançando até que a tábua ficasse cortada e fosse retirada, este processo repetia-se para cada tábua que fosse feita a partir dos toros de madeira.
Moinho Engenho de Serração Engenho de Serração