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Foi crescendo  tanto a devoção para com a milagrosa Senhora  da Barca  do Lago , á vista  das suas maravilhas  e milagres, que o moradores  da sua  freguesia   e lugar de Gemeses, Gandra  e Palmeira  do Faro, primeiros  autores  desta obra, assentaram  entre si  que no  primeiro domingo  depois do dia Todos-os-Santos, cada morador  com sua mulher fossem ao monte onde está situada a casa da Senhora e que naquele  lugar fizessem  a sua mesa e jantassem ali, para que dos sobejos  favorecessem os pobres; além  disto, traria cada um uma boroa de pão de meio alqueire, as quais se juntariam e repartiriam aos pobres, em louvor da Senhora do Lago. Tudo isto se observa ainda hoje (ano de 1972, em que foi escrito o original deste, intitulado Santuário Mariano) sem que  o tempo, consumidor das coisas boas, tenha alterado nem acabado esta tão grande devoção. Mas antes aumentou, de sorte que se instituiu uma irmandade de leigos, para a qual concorreu muita gente de todas as partes vizinhas e prometeram muitos votos, dos quais se instituíram duas missas sabatinas, isto é, duas missas em cada sábado, uma pelos vivos e outra pelos defuntos. E também  um aniversário geral, no oitavário dos Santos  e duas  missas cantadas, na segunda oitava do Natal, uma pelos vivos e outra pelos defuntos, e outras duas no dia da festividade da Senhora, que é na segunda oitava da Páscoa da Ressurreição; havia de ser com sermão.

É esta imagem de muita devoção para todos os mareantes da vila de Esposende e lugar de Fão, os quais, quando fabricam alguma embarcação nova que possa navegar naquele rio, vão os mestres delas com os marinheiros na embarcação até defronte da Senhora; param diante da porta da travessa; dali oferecem á senhora o patacho, caravela ou barcos, que vão todos embandeirados e empavesados, e daquele lugar saltam em terra, com um sacerdote que levam já preparado para lhes dizer missa naquela sua romaria, e para lhes benzer aquela sua embarcação. Com esta devoção; muita fé e grande zelo foram continuando até ao presente, sem se faltar a nada do que fica referido. No que se vê também um portentoso milagre, porque, estando os pobres tão pobres e tão arruinados na sua grande pobreza, não só se conserva mas se  aumenta cada vez mais a sua devoção para com a Senhora nas suas orações.

Pelo decurso do tempo se foi acrescentando e aumentando a casa da Senhora, como se vê ao presente. Tem, além da capela-mor, duas colaterais; a fábrica se faz das esmolas que dão os fiéis e entram na caixa;  que as ofertas são do abade de Gemeses. Pelos anos de 1688, pouco mais ou menos, mudaram para casa da Senhora os clérigos a sua Irmandade de S. Pedro, e também  eles servem  a Senhora com muita devoção. Quanto aos milagres, eles são tantos que, por muitos, nunca houve quem se atrevesse  a tomar o trabalho de os escrever. Mas muitos se puderam  pôr em lembrança, por notáveis e estupendos.

Da Senhora do Lago faz menção  a Corografia Portuguesa , no seu tomo I, pág. 305.

Tudo isto foi capitado dum livro chamado Santuário Mariano título 60, pág. 211, impresso  e Lisboa no ano de 1712, Tomo IV. --- Autor Frei Agostinho de Santa Maria.

Num livro do Arquivo paroquial, e que se trata das coisas mais importantes da freguesia, de Gemeses, referindo-se a uma solenidade, no ano de 1736, na capela da Barca, diz: « Na capela de Nossa Senhora da Anunciação da Barca do Lago». Estes apontamentos  não dizem ser Nossa Senhora venerada na referida capela sob o título de Nossa Senhora da Anunciação. Di-lo o referido livro. Qual a razão do silêncio de um  e da expressão do outro?.....

A festa fez-se, em tempos, em 25 de Março. Mais tarde, para ser fora da quaresma, passou a realizar-se na segunda oitava da Páscoa da Ressurreição e, só depois, é que passou a realizar-se no primeiro domingo de Agosto, por causa da festa do Senhor de Fão.